A revisão do Plano Diretor de Aracaju será orientada por nove eixos temáticos, definidos pela Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seminfra). A Prefeitura de Aracaju divulgou a estrutura em 19 de outubro de 2026.
Segundo a prefeitura, a organização considera as características e necessidades do município e busca integrar dimensões sociais, ambientais e econômicas. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) também serviram de referência.
O grupo gestor da revisão conduz o trabalho na capital sergipana, com participação de profissionais de áreas distintas. A proposta prevê que as questões urbanas sejam discutidas com a população.

Além das análises técnicas, o grupo iniciou visitas a diferentes áreas de Aracaju para observar a realidade territorial. O processo inclui estudos e atividades voltados à identificação de problemas e potencialidades da cidade.
Os nove eixos e a metodologia da revisão
Os temas definidos para a revisão do Plano Diretor de Aracaju abrangem habitação; ordenamento territorial, uso e ocupação do solo e dinâmica urbana imobiliária; infraestrutura urbana, saneamento e equipamentos comunitários; meio ambiente, áreas de risco e mudanças climáticas; mobilidade urbana e acessibilidade universal; desenvolvimento econômico sustentável e turismo; patrimônio cultural; segurança pública e patrimonial; e gestão democrática, participação popular e transparência. A coordenadora do grupo gestor, Edmara Vieira, explicou que os assuntos são interligados e que essa divisão organiza a leitura das dinâmicas da cidade.
Na avaliação de Edmara, habitação, mobilidade, zoneamento e infraestrutura não podem ser examinados separadamente. A localização das moradias se relaciona com os deslocamentos e o zoneamento, enquanto este também está ligado à infraestrutura urbana, formando uma cadeia de questões a considerar no planejamento.
Segundo a coordenadora, a metodologia segue orientações do Ministério das Cidades: identificar problemas e potencialidades em cada tema, discutir os resultados com a população e usar essa análise para construir instrumentos urbanísticos. A divisão em eixos busca tornar mais clara a discussão desses pontos durante a revisão.
Temas adaptados à realidade local e análise integrada
Edmara Vieira afirmou que as referências do Ministério das Cidades apresentam temas que podem ser considerados na elaboração ou na revisão de Planos Diretores, mas que a seleção precisa corresponder às características de cada município. Para Aracaju, a organização em nove eixos também evita uma fragmentação que, segundo ela, poderia dificultar a compreensão dos problemas e a participação popular.
Entre as questões que a coordenadora identifica nas percepções da população estão o zoneamento, a mobilidade urbana e a preservação ambiental. Ela também citou recomendações do Ministério Público Federal relacionadas ao controle da ocupação na Zona de Expansão como parte das discussões sobre o ordenamento da cidade.
A arquiteta e urbanista Dauane Santana, integrante do grupo gestor, explicou que a análise vai sobrepor temas para tratar problemas urbanos complexos, como o crescimento das habitações junto à fragilidade ambiental. Ela apontou a mobilidade como exemplo dessa integração: além de trânsito e vias, o eixo inclui acessibilidade universal para idosos e crianças.
De acordo com Dauane, os eixos foram relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas e ao Estatuto da Cidade, que trata do direito à cidade e do direito à propriedade. A proposta considera as dimensões social, ambiental e econômica na elaboração de diretrizes para um desenvolvimento sustentável e resiliente.
Visitas técnicas ampliam a leitura territorial
O grupo gestor iniciou visitas a diferentes áreas de Aracaju para testar a metodologia de leitura territorial que será aplicada nos trabalhos. Edmara Vieira informou que a atividade de campo complementa a análise de documentos e prepara a abordagem a ser realizada com a empresa contratada para os estudos técnicos.
Segundo a coordenadora, o processo prevê tanto um diagnóstico técnico quanto um diagnóstico com participação social, além de estudos técnicos. As visitas permitem observar no território situações que também serão consideradas na análise, sem depender apenas das informações documentais.
Edmara afirmou que a experiência em campo ajuda o grupo a compreender os problemas presentes nas áreas visitadas e a orientar o trabalho da empresa responsável pelos estudos. A leitura territorial deverá considerar as condições observadas em Aracaju junto aos dados reunidos nas etapas técnicas e participativas.


